Coordenador da Pastoral do Dízimo, o que fazer neste final de ano?
O final do ano está chegando e, com ele, uma boa oportunidade para olhar com atenção para o trabalho realizado pela Pastoral do Dízimo em nossas paróquias. Como coordenador(a), você certamente enfrentou desafios, organizou atividades, acompanhou os agentes e procurou ajudar sua comunidade a compreender melhor o significado de ser dizimista.
Mas quero lhe fazer uma pergunta: você já parou para avaliar o caminho percorrido e pensar no que precisa ser aperfeiçoado para o próximo ano?
Não estou falando apenas de organizar um calendário ou preparar novas atividades. Quero convidá-lo a fazer uma avaliação mais profunda do trabalho pastoral. Separei algumas sugestões que podem ajudar você nessa tarefa. Lembra: dialogue com o seu pároco antes de implementar qualquer coisa. Não estou aqui para interferir no trabalho da paróquia alheia, mas compartilho com você algumas ideias. Use o que servir.
Antes de terminar o ano, avalie o caminho percorrido
Minha primeira sugestão é simples: reúna sua equipe e faça uma avaliação do trabalho realizado durante o ano.
Não se limite a perguntar quem mais faltou no plantão ou quantos novos dizimistas foram cadastrados. Esses dados são importantes, mas não revelam tudo sobre a qualidade do trabalho pastoral.
Procure responder a outras perguntas:
· Conseguimos ajudar a comunidade a compreender o dízimo como expressão de fé, gratidão a Deus e compromisso com a evangelização?
· Realizamos atividades de conscientização ao longo do ano ou ficamos concentrados em algumas campanhas?
· Nossa equipe esteve presente e atuante na vida da comunidade? Além da própria pastoral do dízimo, onde mais servimos?
· Conseguimos envolver outras pastorais na compreensão da importância do dízimo?
· O que fizemos de bom e merece ser mantido?
Avaliar não significa procurar culpados ou apontar erros. Significa reconhecer as conquistas, identificar dificuldades e aprender com a experiência. Não tenha receio de reconhecer aquilo que poderia ter sido feito melhor. É justamente assim que uma pastoral amadurece.
Identifique as lacunas: o que precisamos aperfeiçoar?
Depois de avaliar o trabalho, procure identificar onde estão as principais lacunas. Gosto de organizar essa reflexão a partir de quatro dimensões fundamentais da Pastoral do Dízimo.
Formação da equipe: nossos agentes estão preparados? Conhecem o Documento 106 da CNBB, O dízimo na comunidade de fé: orientações e propostas? Existe entrosamento, compromisso e espírito missionário entre os membros? Uma equipe não precisa ser numerosa, mas precisa estar bem preparada.
Conscientização da comunidade: estamos ajudando os fiéis a compreender que o dízimo não é uma taxa, uma cobrança ou simplesmente uma ajuda financeira? Nossa comunicação é permanente e clara? Estamos envolvendo crianças, adolescentes e jovens? As demais pastorais também compreendem a importância do dízimo?
Espiritualidade dos dizimistas: estamos ajudando os dizimistas a viver essa experiência como agradecimento a Deus? Ou nosso trabalho acaba ficando concentrado nas questões administrativas? Lembre-se: o dízimo nasce da fé e do desejo de que o Evangelho alcance mais pessoas. (Quem não conhece precisa procurar o meu livro por Paulinas Editora: Dízimo, uma nova experiência. Itinerário espiritual.)
Celebração das conquistas: apresentamos o que alcançamos com os recursos da comunidade? A transparência é indispensável, mas também precisamos ajudar os dizimistas a perceber que fazem parte da missão evangelizadora da comunidade. A celebração das conquistas informa e fortalece o sentimento de pertença.
Essas quatro dimensões não devem ser tratadas como tarefas isoladas. Elas se complementam e precisam orientar o planejamento da Pastoral do Dízimo na sua comunidade.
Dezembro e janeiro: dois meses que colocam nossas paróquias à prova
Quero chamar sua atenção para uma questão importante: dezembro e janeiro são meses especialmente desafiadores para a vivência do dízimo.
No final do ano, muitas famílias organizam festas, viagens e momentos de descanso. Em janeiro, chegam impostos, taxas, despesas escolares e outras preocupações financeiras. São situações legítimas, mas que frequentemente acabam colocando o compromisso com a comunidade em segundo plano.
O coordenador da Pastoral do Dízimo precisa antecipar essa realidade. Não espere janeiro chegar para conversar sobre o assunto!
Oriente sua equipe a conscientizar os dizimistas de que o compromisso com a evangelização permanece também durante as férias e os períodos de ausência da comunidade. Da mesma maneira, ajude-os a compreender que a organização financeira e a fidelidade ao dízimo precisam caminhar juntas. A missão da Igreja não entra em férias!
Minha sugestão para janeiro: reúna os coordenadores das pastorais
Tenho uma proposta concreta para você começar bem o próximo ano: organize, em janeiro, um encontro com os coordenadores das demais pastorais e movimentos de sua comunidade.
Por que considero isso importante? Porque a Pastoral do Dízimo não pode trabalhar isoladamente. Todas as pastorais precisam compreender que suas atividades dependem também do compromisso dos fiéis que sustentam a evangelização.
Nesse encontro, proponho três perguntas para orientar a conversa:
· Qual é a missão evangelizadora da nossa comunidade?
· De que maneira cada pastoral contribui para realizar essa missão?
· Como podemos ajudar os agentes e os fiéis a compreender que o dízimo sustenta todas essas iniciativas?
Essa aproximação pode produzir uma mudança importante: o dízimo deixa de ser visto como assunto exclusivo de uma equipe e passa a ser compreendido como responsabilidade de toda a comunidade. Quem sustenta a evangelização também é evangelizador! Essa frase não é quase nosso refrão?!
Não comece o novo ano apenas com boas intenções: planeje!
Por fim, quero insistir em algo: não basta reconhecer os problemas e manifestar o desejo de fazer melhor. É preciso transformar essa avaliação em planejamento.
Reúna novamente sua equipe e estabeleça algumas prioridades para o próximo ano. Organize um calendário de formação dos agentes, conscientização da comunidade, espiritualidade dos dizimistas e encontros com os dizimistas (os cafés, por exemplo). Distribua responsabilidades e acompanhe a realização das atividades.
Não queira resolver tudo de uma vez. Escolha as principais lacunas identificadas na avaliação e trabalhe para superá-las.
A experiência do dízimo nos ensina justamente a caminhar entre o dom e o compromisso. Agradecemos a Deus por tudo o que recebemos, mas também assumimos a responsabilidade por aquilo que está ao nosso alcance.
Coordenador, aproveite este final de ano! Avalie, agradeça pelas conquistas, reconheça o que precisa melhorar e prepare sua equipe para um novo ano de missão.
A Pastoral do Dízimo não existe simplesmente para arrecadar recursos. Sua missão é ajudar a formar uma comunidade consciente, agradecida e corresponsável com a evangelização.
Que o próximo ano encontre você e sua equipe ainda mais preparados para essa missão!
Receba meu abraço e, em nome de tantos padres, receba também meu agradecimento por animar em nossas paróquias esse trabalho tão precioso para a nossa missão. Deus retribua em bênçãos abundantes a você e toda sua família.
Com carinho,
Padre Cleiton Silva
Padre Cleiton Viana da Silva
Sacerdote da Diocese de Mogi das Cruzes (SP), assessor diocesano da Pastoral do Dízimo e autor dos livros Dízimo: uma nova experiência – itinerário espiritual e Dízimo Mirim: agradecer desde pequeno. Tem assessorado diversas dioceses pelo Brasil na formação de equipes e na conscientização do dízimo e tem vários vídeos em seu canal no YouTube (@padrecleitonsilva). Acompanhe os trabalhos do Padre Cleiton Silva nesse link. Clique aqui.

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