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A fragilidade do poder e o poder da liberdade: Pilatos e Nicodemos


Crise: tempo das grandes decisões

Em períodos de crise social ou pessoal quando temos que tomar decisões a grande pergunta que se faz é:


Onde posso encontrar força para suportar as adversidades?

Em que devo me apoiar para tomar as decisões que são necessárias?


A semana santa reúne os maiores exemplos de decisões tomadas na maior crise. Nela encontramos a traição e o abandono dos amigos, o julgamento e a condenação injusta imposta pelos inimigos, o silêncio de Jesus que parece não querer defender-se, o aparente abandono do Pai, enfim, tudo indica que o desfecho será o fracasso de todas as esperanças e projetos.

O governador romano e o judeu notável

Há duas figuras que aparecem nesse momento e podem nos ajudar a encontrar as ferramentas necessárias para gerenciar nossas estratégias diante das crises. Nessas duas figuras encontramos a resposta sobre onde devemos nos apoiar para tomar as decisões necessárias: Pilatos e Nicodemos.


O primeiro é Pilatos, o cidadão romano revestido de poder como governador naquela província do Império Romano. O segundo é Nicodemos, um fariseu importante entre os judeus, mas que se encontrava com Jesus apenas às escondidas (cf. Jo 3).


Em proporção diferente são dois homens de poder, capazes de influenciar e determinar o rumo da vida de outras pessoas: uma coisa é ser governador, outra coisa é ser simplesmente uma referência religiosa.


Mas também em proporção diferente estes dois têm poder sobre sua própria vida: o homem do Império não é capaz de confrontar-se com os seus súditos e sucumbe às suas reinvindicações; o judeu notável termina desafiando sua própria religião para dar sepultamento digno àquele que fora condenado como criminoso (cf. Jo 19,39).

A fragilidade do poder e o poder da liberdade

Qual a diferença entre Pilatos e Nicodemos diante da crise que enfrentaram? O que faz o governador romano ser humilhado mesmo revestido de poder e o que torna o judeu piedoso mais corajoso que seu próprio governador?


A resposta está na liberdade. A liberdade é fonte de poder, poder sobre si, e até mesmo poder sobre os outros. (Confira estes vídeos sobre a liberdade: vídeo 1; vídeo 2) O poder sem liberdade é fazer-se marionete. Enquanto Pilatos desce do seu poder e se curva diante dos seus súditos, Nicodemos sobe os degraus da liberdade: do encontro noturno com Jesus às escondidas passa à apresentação pública para ungir o corpo de Jesus.


O apego de Pilatos ao poder o fez ir e vir sem condições de decidir-se, estava sem um eixo sobre o qual se apoiar. Seu poder era inconsistente, frágil. De fato, na cena do julgamento de Jesus (cf. Jo 18, 28 – 19,16) o evangelista descreve que os inimigos de Jesus não entram no palácio do governador, apenas os soldados o introduzem diante de Pilatos.


É Pilatos que sai para ouvir os judeus que pediam a condenação e entra para ouvir Jesus. Esse movimento se repete várias vezes (cf. Jo 18, 29.33.38; 19, 1.4.8.13) e mostra o desespero daqueles que se apoiam no poder e não têm nenhuma outra referência: a consciência é incapaz de tomar uma decisão segura.


Nicodemos também teve que lidar com sua consciência e com suas decisões. Também o evangelista fala de muitos chefes dos judeus que acreditavam em Jesus, mas não confessavam publicamente, porque amavam “mais a glória dos homens do que a glória de Deus” (cf. Jo 19, 42-43). Mas ao final, Nicodemos passa da confiança no poder do mundo e do desejo de ser aceito pelos homens para a confiança na liberdade que sua consciência lhe dava: conhecereis a verdade e a verdade vos libertará (cf. Jo 8,32). Sua liberdade, iluminada e apoiada na verdade de Jesus Cristo, faz dele mais forte que o medo das represálias de seus contemporâneos.


Quantas crises precisaremos enfrentar ao longo de nossa vida! Vencida uma, já encontramos outra.

E temos realmente nos preparado para enfrentá-las?

Em que nossas decisões se apoiam?

Na fragilidade do poder, das influências e acordos ou na força da liberdade que se encontra com a verdade?

A liberdade, a oração, a capacidade de adaptar-se: ferramentas fundamentais para enfrentar crises

Olhar além do contexto que nos condiciona, elevar o pensamento a Deus que amplia nossos horizontes e responder diante das possibilidades que temos são ferramentas fundamentais para enfrentarmos todos os tipos de crises. Por isso, apresento a você meu livro OUTROS CONSELHOS QUE (NÃO) ME PEDIRAM em que reúno diversos textos sobre esses assuntos e muitos outros. Para mais detalhes sobre este livro, confira no meu site.

Capa do livro OUTROS CONSELHOS QUE (NÃO) ME PEDIRAM

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