VOCÊ TEM MEDO DE ENVELHECER?

Você me fala o que pensa do envelhecimento, que descrevo como você tem vivido sua vida! O envelhecimento é, muitas vezes, temido. Temos medo do que virá pela frente. Temos medo de pensar se teremos condições físicas, psíquicas e financeiras de nos sustentar depois de idosos. Se seremos dependentes ou independentes. Se teremos a quem recorrer ou não. É comum considerarmos os anos depois dos 60, 70, como um grande desafio.



Envelhecer: vocação e responsabilidade

A verdade é que o envelhecimento é, antes de tudo, uma vocação. E, por isso, é cercado de mistérios e incertezas. No âmbito pessoal, assim como o deserto para o povo do Antigo Testamento (cf. Dt 8,1-6), envelhecer é uma oportunidade de se “conhecer o que se tem no coração” e colher os frutos daquilo que se semeou ao longo da vida.

No âmbito comunitário e social, o modo como tratamos os idosos revela o nosso grau de desenvolvimento humano, espiritual, cultural e ético. E aí entram todas as questões de comportamento e de reconhecimento da sociedade, além dos direitos respeitados (ou não) das pessoas mais idosas.

Para atravessar o deserto, o Povo de Deus precisou de fé, força e, especialmente, precisou assumir a sua vocação.


O envelhecimento e seus desafios

O envelhecimento é, em tese, um fenômeno comum na população. É esperado que todos passemos por isso. Porém, o modo como se envelhece, o modo como vemos as pessoas idosas e o tratamento que damos a elas são situações construídas ao longo do tempo, seja por meio da história ou da sociedade que criamos.


Num País como o Brasil, cercado por uma ampla desigualdade social e que carrega vários outros problemas, como pobreza, corrupção, machismo, preconceito, vividos em todas as fases da vida humana, fica difícil pensar no envelhecimento como um processo simples e natural. Aí entra o deserto e toda a complexidade dessa fase da vida.


A partir do olhar sobre a pessoa idosa, devemos refletir não só sobre o nosso medo de envelhecer, mas essa é também uma oportunidade para avaliarmos as nossas atitudes no dia a dia, a forma como convivemos, os nossos valores e, por fim, repercutirmos isso em nosso cotidiano. Na forma como vemos os idosos, como nos relacionamos com eles, como os respeitamos e como fazemos parte de suas vidas.


O envelhecimento é sim um desafio social, existencial, além de uma provocação ética e pastoral. Um verdadeiro chamado à ação. A começar em nossas comunidades devemos criar espaços para refletir, conhecer e debater os principais desafios do envelhecimento, de cuidar de pessoas idosas e como nós mesmos podemos nos preparar para envelhecer bem. Em sua comunidade, qual espaço ocupa a reflexão sobre o envelhecimento? Como vocês acompanham as pessoas mais idosas?


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Coautoria deste artigo: Deize Renó

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