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Sua corda está realmente amarrada?

Descubra como pequenas negligências podem comprometer grandes decisões.


Recentemente, uma notícia chocou muitas pessoas. Uma jovem morreu durante a prática de “rope jump” (salto com corda) porque algo fundamental não foi verificado adequadamente: a corda que deveria garantir sua segurança.

Pensei muito antes de escrever esse texto e não quero refletir aqui sobre o acidente em si. Há autoridades competentes para apurar os fatos. O que me chamou a atenção foi outra coisa. Antes do salto, alguém deveria ter conferido a corda. A corda me parece uma metáfora sobre o cuidado com nossa própria vida.

Os saltos que damos todos os dias

Ao longo da vida, fazemos muitos saltos. Assumimos um casamento. Aceitamos um novo trabalho. Começamos um projeto. Cuidamos dos filhos. Assumimos responsabilidades na comunidade. Fazemos promessas. Tomamos decisões importantes. A vida é cheia de saltos!

Entretanto nem sempre paramos para verificar se aquilo que sustenta nossa vida continua firme. Vamos seguindo. Cumprimos tarefas. Resolvemos problemas. Ajudamos os outros. Mas raramente perguntamos:

Como eu estou? Tenho forças para continuar assim? Minha vida está equilibrada? Estou cuidando de mim?

Veja: talvez o problema não seja o salto. Talvez o problema seja não verificar a corda.

Quem está cuidando de você?

Muitas pessoas passam a vida inteira cuidando dos outros. Cuidam dos filhos. Dos pais. Do marido ou da esposa. Dos amigos. Da comunidade. Do trabalho. E isso é bonito e para nós cristãos tem sabor de experiência de Deus.

Mas pode existir uma armadilha silenciosa: acreditar que alguém também está cuidando de nós com a mesma atenção com que cuidamos dos outros. Mas, infelizmente, nem sempre está... Nem sempre os outros percebem nosso cansaço. Nem sempre os outros conhecem nossos limites. Há responsabilidades que simplesmente não podem ser terceirizadas. A corda que sustenta sua vida você mesmo precisa verificar sempre como ela está.

O cuidado que ninguém pode fazer por você

Ninguém pode descansar por você. Ninguém pode organizar sua vida por você. Ninguém pode refletir sobre suas escolhas por você. Eu vejo que uma das tarefas mais importantes da maturidade seja justamente esta: aprender a conferir a própria corda. Olhar para a saúde. Olhar para o descanso. Olhar para os relacionamentos e para tudo que seja realmente importante para o básico da nossa existência. Não precisamos fazer isso com medo nem com obsessão, mas com um senso grande de responsabilidade por si mesmo.

O perigo do automático

Existe uma forma de negligência muito comum que não acontece de uma vez. Essa forma de negligência acontece aos poucos. A gente se acostuma ao cansaço, ao excesso de trabalho ou à falta de tempo para si.

E, quando percebe, já não consegue distinguir entre viver e apenas sobreviver. O automático tem esse poder: ele faz parecer normal aquilo que não deveria ser normal.

Antes do próximo salto

Talvez você esteja diante de decisões importantes. Talvez esteja apenas vivendo a rotina de sempre. Em ambos os casos, vale a pena fazer uma pausa.

Pergunte-se:

Minha corda está realmente amarrada? Estou cuidando da vida que recebi? Estou construindo uma vida sustentável ou apenas suportando o peso dos dias?

Essas perguntas não existem para gerar culpa. Existem para despertar consciência porque a vida costuma mudar quando começamos a prestar atenção.

Foi justamente desse tipo de inquietação que nasceu o livro Cuida da tua vida. Cuidar de si, reconhecer limites e conviver melhor com os outros. Ele é um convite a parar, observar, discernir e reorganizar a própria existência. Não oferece respostas prontas, mas ajuda a fazer perguntas importantes. Não promete uma vida sem problemas, mas um caminho de maior consciência, responsabilidade e sentido. Antes do próximo salto, certamente vale a pena conferir a corda.

Porque ninguém pode realmente cuidar da sua vida por você.


Se estas reflexões tocaram você, talvez seja um bom momento para conhecer o livro Cuida da tua vida e iniciar esse caminho de autoconhecimento, responsabilidade pessoal e busca de sentido. Porque cuidar da própria vida não é egoísmo. É uma forma de gratidão pelo dom da vida recebida. E ninguém pode viver a sua vida por você.

Link para o livro base Cuida da tua vida;

 

Padre Cleiton Viana da Silva é professor e palestrante, doutor em Teologia Moral pela Academia Afonsiana (Roma), onde defendeu tese sobre envelhecimento e teologia moral. Dessa pesquisa nasceu o livro Envelhecimento & Sociedade. Desafios éticos, oportunidades pastorais. Possui especialização em psicanálise clínica e logoterapia, e dedica-se à formação humana, procurando integrar fé, reflexão sólida e bom senso diante dos desafios concretos da vida.

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