SEM VONTADE DE REZAR? INCONSTANTE NA ORAÇÃO?

Atualizado: Mar 4


Nas horas em que nos sentimos perder as forças para rezar, devemos rezar com a mesma atitude de alguém que está enfermo e não se alimenta pelo apetite, mas pela necessidade de manter-se vivo.


Já aconteceu de alguém com muita vergonha dizer: “Padre, eu muitas vezes não tenho vontade de rezar. O que eu faço?” Graças a Deus a pessoa tem coragem de dizer o que se passa com ela, imagina o que seria do enfermo se escondesse do médico o seu mal-estar?!


As decepções e a oração

Pode ser um certo sentimento de decepção com Deus, parece uma expressão forte, porém muitas vezes vivemos uma certa decepção com Deus: queríamos tanto uma coisa, mas o que nos veio foi o contrário! O sentimento de não ser atendido na oração pode algumas vezes nos levar a esse distanciamento, não queremos falar com Ele... Cansado de tantas lutas e estas pareciam sem sentido, também o profeta Elias parece querer romper com Deus e até mesmo pede a morte: “Agora basta, Iahweh! Retira-me a vida, pois não sou melhor que meus pais.” (1Rs 19,4) A pergunta que fica é a seguinte: o que posso fazer nessas horas? Simplesmente desisto de rezar de uma vez por todas?

A própria passagem da angústia de Elias nos oferece uma indicação interessante. Narra-se que Elias depois de pedir a morte, deita-se e dorme debaixo de um junípero. A tristeza provoca isso em nós: queremos largar tudo, na verdade, largamos a nós mesmos... Mas o Anjo toca e lhe diz para levantar-se e comer. Elias come do pão e bebe da água, mas depois quer voltar a deitar-se. Porém o Anjo lhe diz: “Levanta-te e come, pois do contrário o caminho te será longo demais.” (IRs 19,7) Diz a narração que Elias come e bebe e sustentado com aquele alimento faz um caminho de 40 dias e termina na montanha de Deus, onde se encontrará com Ele.


Rezar com ou sem apetite: manter-se vivo na fé

Sabemos que o pão apresentado pelo Anjo é prefiguração da eucaristia, alimento por excelência a nos garantir força e firmeza para prosseguir nosso caminho que sempre é um chamado a encontrarmos o Senhor. Mas podemos ver também no pão a imagem simples do nosso dia-a-dia, da nossa cotidianidade. Nessas horas em que nos sentimos perder as forças para rezar, devemos rezar com a mesma atitude de alguém que está enfermo e não se alimenta pelo apetite, mas pela necessidade de manter-se vivo. Há ocasiões em que comemos com um grande apetite, uma deliciosa vontade de comer – às vezes com gula também... – mas há situações em que comemos porque sem comer a situação piora.

Assim devemos pensar também a nossa oração. Haverá momentos de muito sabor e alegria no rezar, quando agradecemos a Deus pela vida das pessoas que amamos, quando pedimos a Deus sua proteção em nossos projetos, mas haverá momentos em que nossa oração será feita sem apetite, mas sabendo que sem rezar podemos cair ainda no desespero.


A oração é como o ar: não pode faltar

Assim como Jesus dizia: “Pedi e recebereis” (Mt 7,7) podemos também rezar pedindo a Deus o dom da perseverança na oração. Aprender a rezar como alguém que aprendeu a respirar e sabe que se lhe faltar o ar, a vida não se mantém. Se faltar oração, menos ainda nossa vida pode se manter.

Que tal rezarmos assim: “Senhor Jesus, sei que o Senhor me vê, escuta e está comigo. Hoje meu coração está apertado e nem mesmo gostaria de estar rezando. Tenho duvidado da oração, Senhor! Parece que não sou atendido. Olha minhas intenções, olha minhas aflições e me ensina a fazer a sua vontade. Mostra-me, Jesus, o que devo pedir, como devo rezar e, principalmente, a reconhecer sua Presença junto de mim. Um dia o Senhor também, cheio de aflição e dor, rezou assim: «Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?» (Cf. Mc 15,34; Sl 22/21), era quando sentia as mais fortes dores do pecado da humanidade. Hoje sou eu, Senhor, que me sinto um pouco desorientado, abandonado, mas junto com o Senhor quero também professar minha fé no seu amor que me acompanha sempre e com o Senhor poder dizer: «Anunciarei teu nome aos meus irmãos, louvar-te-ei no meio da assembleia» (Sl 22,21)”

Conselho? Ler, meditar, rezar o Salmo 22/21.


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