Qual é a sua história na história da Igreja? A corresponsabilidade na Igreja
- cleiton viana da silva
- há 1 dia
- 3 min de leitura
A Igreja atravessou séculos, enfrentou perseguições, crises, transformações culturais e mudanças sociais. Gerações passaram, lideranças se sucederam, comunidades nasceram e outras desapareceram. No entanto, a missão continua. A história da salvação segue sendo escrita. Diante dessa realidade, uma pergunta merece ser feita: qual é a sua história na história da Igreja?
Mais do que frequentar, é participar
Muitas vezes olhamos para a Igreja como uma realidade externa, algo que existe independentemente de nós. Contudo, pelo Batismo, cada cristão se torna parte viva desta história. Não somos espectadores da missão; somos seus protagonistas.
Por isso, a fé é sempre uma resposta pessoal ao chamado de Deus. O Senhor chama cada um pelo nome, confia dons, desperta vocações e entrega responsabilidades.
Mas é importante compreender: pessoal não significa individual.
Quando o "eu" se torna maior que a missão
Quem vive a fé de forma individual costuma permanecer enquanto tudo corresponde às suas expectativas. Quando surge uma contrariedade, uma discordância ou uma decepção, afasta-se. Afinal, pensa apenas em si mesmo.
Já quem compreende que sua resposta a Deus é pessoal sabe que ela cria relações. Sua vocação está ligada à comunidade, à evangelização e ao bem comum. Por isso, mesmo diante das dificuldades, procura construir e não abandonar. A missão da Igreja não depende de concordarmos com tudo, mas de permanecermos fiéis ao chamado recebido.
A comunidade se constrói no serviço
Essa realidade aparece de maneira muito concreta em nossas paróquias. O sustento da Igreja nasce da corresponsabilidade dos fiéis por meio do dízimo. As festas, eventos e atividades pastorais possuem uma finalidade ainda maior: fortalecer os vínculos da comunidade e criar oportunidades de participação.
O principal resultado de uma festa não é o lucro obtido, mas a experiência de comunhão que ela proporciona.
O que verdadeiramente fortalece uma comunidade é ver pessoas colocando seus dons, seu tempo e suas capacidades a serviço da missão. É bonito encontrar aqueles que, ocupando cargos de liderança ou trabalhando nos bastidores, não procuram promover a si mesmos, mas contribuir para que a comunidade cresça.
Os dons florescem quando são compartilhados
A parábola dos talentos (cf. Mt 25, 14-30) nos recorda que Deus não distribui dons para serem guardados, mas para produzirem frutos. Entretanto, existe um inimigo silencioso capaz de paralisar essa fecundidade: a inveja. Ela leva a pessoa a concentrar-se no que o outro recebeu, no reconhecimento dado ao outro ou nas oportunidades oferecidas ao outro.
A inveja faz olhar para o talento alheio. A gratidão faz cuidar do próprio talento...
Quando permitimos que a comparação domine o coração, deixamos de desenvolver aquilo que Deus nos confiou. Aos poucos, a missão perde espaço para as disputas, os ressentimentos e as rivalidades.
Os dons crescem quando são colocados a serviço da comunidade. Quando são usados para promover apenas a nós mesmos, perdem sua força evangelizadora.
Uma página que só você pode escrever
A história da Igreja continuará depois de nós, como continuou depois de tantas gerações. A questão não é se haverá novos capítulos. Eles certamente existirão.
A verdadeira pergunta é outra: quando este capítulo da história da salvação for contado, qual terá sido a sua contribuição?
Deus continua chamando pessoas para evangelizar, servir e construir comunidades. E cada um de nós precisa decidir se será apenas alguém que passou pela Igreja ou alguém que ajudou a escrever sua história.
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Padre Cleiton Silva
Sacerdote da Diocese de Mogi das Cruzes (SP), assessor diocesano da Pastoral do Dízimo e autor dos livros Dízimo: uma nova experiência – itinerário espiritual e Dízimo Mirim: agradecer desde pequeno. Tem assessorado diversas dioceses pelo Brasil na formação de equipes e na conscientização do dízimo.

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