O vulnerável e o cuidado: as grandes descobertas de 2020



Amigos mais próximos e grande parte dos meus paroquianos me ouviram e me ouvem dizer que o coronavírus não é nem castigo nem inimigo. Como todas as coisas da natureza ele também está por aí.


Semelhante à lei da gravidade que também está por aí e se não andamos com atenção podemos tropeçar e cair, é bobagem culpar a lei da gravidade pela nossa queda. Assim também é com o vírus e a doença que ele pode desenvolver: também estão por aí e é nossa responsabilidade aprender com eles alguma coisa.


De fato, duas coisas foram descobertas ou redescobertas por grande parte da população mundial. A primeira é que somos vulneráveis e a segunda coisa, muito unida à primeira, é que somos cuidado.


Você pode ser ferido, derrubado ou aniquilado

Deve soar duro e até dramático entender que por mais inteligentes que sejamos, por mais fortes e cuidadosos com a saúde que sejamos em qualquer momento e sem avisar podemos ser afetados por algum mal. Uma enfermidade, uma traição ou simplesmente a violência gratuita de pessoas desajustadas.


Mas nem é necessário que essas situações irrompam em nossa vida, somos ainda mais vulneráveis do que pensamos: um dia sem um oi cheio de carinho, uma semana sem falar com alguém que amamos ou um mês sem nos reunir com pessoas queridas e nossa saúde emocional se abala. Quem se dava conta disso antes da pandemia, não é mesmo?!


E justamente a pandemia tornou evidentes tantas coisas que ficavam escondidas. Que nossos projetos não estão seguros para existir quanto em nosso coração para sonhá-los. Que nossos amigos e familiares podem passar sem que tenhamos condições de dizer adeus. Que nossas expectativas se desfazem e nem vimos por onde foram.


Cuidar não é tarefa, é nosso jeito humano de ser

Mas nesse cenário talvez assustador, descobrimos o cuidado. Mais do que tarefa ou atividade (cuidar do neto, cuidar da planta ou cuidar da casa), o cuidado é algo que nos define como gente, como ser humano. Diria a fábula de Higino: enquanto vivemos pertencemos ao cuidado!