MEU MARIDO VÊ PORNOGRAFIA. QUE DEVO FAZER?

Enquanto Lucrécia não volta, e como demora! Me recordo de um de nossos primeiros diálogos durante a pandemia de 2020. Eu tinha publicado um artigo divulgando meu livro Coração Inquieto (Ed. Paulinas, 2018) voltado para jovens e um dos assuntos era sobre o problema da pornografia para jovens.


Ela me chamou em particular e perguntou: Padre, posso confessar o pecado dos outros? Eu respondi, brincando e arriscando: Sim, se a senhora for pagar a penitência pela pessoa também. Foi quando ela se sentiu à vontade e disse: Meu marido vê pornografia. Que faço com isso?!


Esse é daqueles momentos extremamente delicados em qualquer conversa de direção espiritual, mas principalmente quando é pela internet me causa um pouco mais de preocupação. Um mínimo de erro e as consequências podem ser desastrosas. Eu lhe perguntei se ela realmente tinha tempo para conversar e ela disse que sim.


Eu comecei lhe explicando que o meu modo de tratar o assunto poderia ser um pouco demorado porque sendo professor de teologia moral, minha preocupação não poderia ser dar respostas prontas como aquelas massas de supermercado para fazer bolo em que você entrega o pacote e a pessoa chega em casa, joga um pouco de leite e já joga no forno para assar.


Aconselhamento espiritual é sempre algo muito exigente e quando se trata de problemas desse tipo precisa ser tratado com profundidade. Ela entendeu e disse que teria todo tempo do mundo para me ouvir.


Esse problema como outros têm pelo menos três dimensões, mas é muito difícil a mulher tentar resolver com o marido sem o próprio marido... É necessário uma grande dose de respeito pela intimidade alheia e ao mesmo tempo a disponibilidade de ajudar a pessoa. E entre marido e mulher a ajuda mútua é sempre essencial.


Quais são as dimensões desse problema?


A primeira dimensão que é sempre mais percebida é a dimensão moral, mas sozinha pode não ajudar em nada. Dizer ao marido simplesmente que é pecado não é mentira, mas é insuficiente. Não basta humilhar a pessoa provocando vergonha até porque isso geralmente endurece o coração de ambos e mais afasta do que aproxima as condições de ajuda mútua.


Entre os pecados capitais, geralmente achamos os que se dão à gula simpáticos, mas estigmatizamos os que se dão à luxúria e esquecemos que ambos são pecados capitais. Por isso, a resposta moral ainda que verdadeira é incompleta.


Por isso, precisamos pensar em uma segunda dimensão, a dimensão psicológica, isto é: que lugar aquilo ocupa na vida dele? É um vício de curiosidade, de fuga da realidade? É algo que acontece quando outras situações estão saindo do controle e sinaliza insegurança?


Assim como alguém pode comer exageradamente para se sentir consolado, outros recorrem a outros mecanismos de falsificação da realidade e alívio da insegurança. Nesse aspecto, nem sempre sozinho a pessoa ou mesmo o casal consegue sair.


Muitas vezes um bom acompanhamento psicológico pode ajudar ambos a perceberem que atrás do comportamento moralmente reprovável esconde-se um conjunto de situações a ser trabalhadas.


A terceira pergunta e não menos importante é sobre a dimensão cultural ou social. Que lugar ocupa a pornografia em nossa sociedade? Vivemos em uma sociedade em que a pornografia está presente e muitas vezes fica difícil estabelecer exatamente o que seja o limite.


Basta pensar nos filmes, novelas e outros espetáculos aos quais estamos acostumados. Além disso, a facilidade da pornografia transtorna a vida de muitas pessoas, está acessível, talvez um amigo ou amiga nesse momento já tenha mandado uma foto, ainda que jocosa, de alguma situação que estimula a curiosidade sobre pornografia.


Considerando essas três dimensões, é muito importante que o casal saiba dialogar e contextualizar qualquer coisa que se passa entre eles dentro de um conjunto maior. Qual lugar cada um ocupa na vida do outro? Qual o grau de compromisso cada um assume em relação à transparência e ao respeito pela intimidade alheia?


Não basta reprimir o comportamento imoral. É necessário quanto antes aprender a educar-se para a liberdade, conhecendo seus limites, aceitando seus altos e baixos.


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