Espiritualidade do Coordenador: Como Servir, Liderar e Saber Passar o Bastão
- cleiton viana da silva
- 19 de jun.
- 3 min de leitura
A beleza da coordenação pastoral
Ao longo de mais de vinte anos de ministério sacerdotal, tenho observado que poucas experiências são tão bonitas quanto coordenar uma pastoral, movimento ou serviço na Igreja. O coordenador coloca seus dons a serviço da comunidade, organiza pessoas, promove a participação e ajuda a transformar boas intenções em ações concretas de evangelização.
Entretanto, também aprendi, tanto na vivência pastoral quanto nos estudos sobre gestão estratégica de pessoas, que liderar não significa ocupar um lugar de destaque. Liderar significa servir. Não existe liderança sem grupo, e ninguém coordena sozinho. Toda autoridade se alimenta da confiança, da capacidade de formar pessoas e de promover a comunhão.
O coordenador não é dono da missão
Um dos maiores desafios da liderança é compreender que a missão pertence a Cristo e à Igreja. O coordenador é apenas um administrador temporário de um serviço que continuará existindo depois dele. Foi chamado para esse serviço que tem um dia e hora para se encerrar. Não pode confundir sua vocação com este serviço.
Nas organizações saudáveis, fala-se muito sobre sucessão de lideranças e compartilhamento do conhecimento. Na Igreja não deveria ser diferente. O bom coordenador não cria dependência, mas forma novos líderes. Não concentra tudo em si, mas ensina outros a caminhar. Não busca ser indispensável, mas trabalha para que a missão continue com ele e até sem ele.
Quando chega a hora de passar o bastão
É justamente nesse momento que a espiritualidade do coordenador é colocada à prova. Assumir uma coordenação exige generosidade. Entregá-la exige maturidade.
Infelizmente, já vi situações em que antigos coordenadores passaram a criticar constantemente os novos responsáveis, comparar métodos, alimentar grupos de oposição ou manter uma influência paralela. O resultado costuma ser o mesmo: divisão, desgaste e enfraquecimento da missão.
A liderança cristã não se mede pela capacidade de permanecer no cargo, mas pela capacidade de servir à comunidade mesmo depois que o cargo termina.
Um exame de consciência para o ex-coordenador
Antes de criticar a nova coordenação, talvez seja importante perguntar:
Estou acolhendo ou competindo com quem assumiu meu lugar?
Consigo me alegrar com novas ideias e novas iniciativas?
Tenho oferecido ajuda ou apenas opiniões?
Estou fortalecendo a unidade da comunidade?
Aquilo que eu exigia dos outros estou disposto a praticar agora?
Minha saída deixou discípulos ou apenas partidários?
Um exame de consciência para quem faz parte da equipe
Os membros da equipe também possuem responsabilidades importantes:
Estou colaborando sinceramente com a coordenação?
Levo os problemas diretamente aos responsáveis ou alimento comentários paralelos?
Contribuo para a comunhão ou para a formação de panelinhas?
Sou parte da solução ou apenas da crítica?
Tenho espírito de serviço ou apenas opiniões?
Um exame de consciência para o novo coordenador
Quem assume a coordenação também precisa cultivar a humildade:
Estou ouvindo as pessoas antes de promover mudanças?
Reconheço e valorizo o trabalho realizado anteriormente?
Desejo servir ou apenas ocupar um cargo?
Estou disposto a formar novos líderes?
Cargos passam, a missão permanece
A maturidade espiritual aparece quando compreendemos que os cargos são temporários, mas a missão permanece. O coordenador verdadeiramente cristão sabe conduzir, sabe servir e sabe passar o bastão.
Recordo frequentemente as palavras de São João Batista: "É necessário que Ele cresça e eu diminua" (Jo 3,30). Talvez esta seja a síntese da espiritualidade do coordenador. A obra é de Deus. Nós apenas colaboramos por algum tempo.
Quando compreendemos isso, deixamos de disputar espaços e passamos a construir pontes. Afinal, na Igreja, o verdadeiro líder não é aquele que acumula partidários, mas aquele que ajuda a comunidade a seguir Jesus Cristo.
Você se preparou para ser coordenador? Conheça um curso para coordenadores
Provavelmente ninguém foi preparado antes de ser chamado para coordenar. Pensando nisso, elaborei um curso digital para coordenadores. É 100% digital, não é ao vivo, clicando aqui você pode iniciar até agora mesmo.
Padre Cleiton Silva
Sacerdote da Diocese de Mogi das Cruzes (SP), assessor diocesano da Pastoral do Dízimo e autor dos livros Dízimo: uma nova experiência – itinerário espiritual e Dízimo Mirim: agradecer desde pequeno. Tem assessorado diversas dioceses pelo Brasil na formação de equipes e na conscientização do dízimo.


Comentários