COMO SUPERAR AS OFENSAS SOFRIDAS – PARTE 1


Síntese do artigo:

Perdoar não é esquecer; esquecimento é problema de saúde

Perdoar é não desejar o mal

Na ofensa que o outro me fez posso ver um espelho de mim mesmo


Como podemos superar as ofensas que sofremos? Qual o critério para perceber se perdoamos aquele que nos fez o mal, aquele que tentou nos prejudicar?


Perdoar não é esquecer; esquecimento é problema de saúde

É muito comum que alguém venha se confessar e diga: “Padre, eu acho que não consegui perdoar uma pessoa porque sempre me lembro do mal que a pessoa me fez. Estou faltando com a caridade?” Eu sempre costumo lembrar que ESQUECIMENTO não é virtude, menos ainda virtude cristã; quem esquece muito costuma ir ao médico procurar tratamento... Como devemos examinar nossa consciência quando repetidas vezes uma ofensa sofrida retorna à nossa memória? Indica por si só falta de perdão? Falta de caridade cristã? Eu tento ajudar da seguinte forma: primeiro verificar se existe desejo de vingança; caso não exista desejo de vingança, devemos verificar o que a recordação da ofensa pode ensinar à pessoa ofendida.


Perdoar é não desejar o mal

A primeira pergunta que faço à pessoa é esta: “Quando esta recordação vem à sua mente, você deseja o mal para a pessoa? Você deseja que ela sofra o mesmo que fez você sofrer?” Geralmente a resposta é um não meio assustado: “Não, padre! Deus me livre! É uma mágoa que sempre retorna.” Neste caso, não se pode considerar falta de perdão ou de caridade. Por outro lado, a ida e vinda dessa recordação pode ser um caminho de amadurecimento e de autoconhecimento. A recordação constante de uma ofensa pode indicar, pelo menos, três coisas: boa memória, espelho e orgulho inflamado.


Essas constantes recordações podem simplesmente indicar que o ofendido tem boa memória e nisto não há mal nenhum. Quando começamos a esquecer momentos fortes da nossa vida, começamos a ficar preocupados. Recordar-se é ter sua história presente e por isso mesmo ter condições de reorganizar a própria vida. A lembrança de males sofridos pode simplesmente indicar a necessidade de estar sempre atento a não passar pelas mesmas situações de novo. Também, é claro, pode ser ocasião para rezar pelo agressor, pedir sua conversão e rezar por outras pessoas que passam a mesma situação. Neste caso, a recordação é como uma ferida, ainda não cicatrizada que somente o tempo pode curar. Por isso, a oração dá à pessoa condições de recuperar a serenidade e olhar o ocorrido no horizonte maior da sua existência. Depois de alguns anos, conseguimos enxergar coisas boas em situações muito dolorosas, aprendizados, amizades descobertas. O mal foi mal, mas trouxe sim algum bem.