COMO O CRISTÃO PODE VIVER OS DEZ MANDAMENTOS?

Ao cristão não basta memorizar os dez mandamentos para cumprir o que eles nos pedem. Jesus ensina uma medida mais alta e radical dos mandamentos: a superação da lei com a busca do amor. Cumprir a lei sem a dinâmica do amor, dirá são Paulo, é como um instrumento que soa em vão (cf. 1Cor 13,1).


Toda a vida de Jesus é a proclamação radical do amor que supera a lei. Mas encontramos como sintetizado tudo isso no chamado Sermão da Montanha (cf. Mt 5 – 7), que apresenta a identidade do ser cristão, do pertencer a Jesus Cristo. Se Jesus fez um sermão, a quem ele falava?


Os principais interlocutores são os discípulos apesar da presença próxima das multidões (cf. Mt 5, 1). Essa primeira indicação nos recorda que sempre haverá uma diferença entre o modo que a multidão se comporta com Jesus e o modo como seus discípulos vivem.


A multidão representa aquelas pessoas que gostam de ouvir a pregação de Jesus, entusiasmam-se com seus milagres, curas e sinais, ficam admiradas com a expulsão dos demônios, mas a multidão não se decide por Jesus, não assume a cruz. Os discípulos, porém, são aqueles que renunciam a si mesmos cada dia, tomam sua cruz e buscam, mediante a graça, viver o que Jesus lhes ensina.


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Jesus é muito claro que Ele não veio abolir a Lei, não joga fora a Lei (cf. Mt 5,17), mas a leva ao pleno cumprimento. Como assim? Deveríamos lembrar que os 10 mandamentos foram dados ao povo de Deus no início da sua caminhada em vista da libertação.


Depois de atravessado o mar (cf. Ex 15), algum tempo depois (cf. Ex 19) Moisés sobe ao Sinai e de lá retorna com as dez palavras (cf. Ex 20) que Deus dirige a seu povo para que este possa caminhar rumo à liberdade, à terra onde correm leite e mel.


Portanto, os dez mandamentos são ponto de partida, representam o mínimo que se espera de um povo que está saindo da escravidão e deve aprender a ser livre. Compreendendo isso, fica mais fácil ver de que modo a vida cristã supera a Lei.


Superar a violência

A lei diz: Não matarás. Isso é o mínimo. Que pelo menos não tiremos a vida de ninguém. Mas a medida do Evangelho é alta, chama-nos até mesmo a rever dentro de nós os mecanismos de ódio ou violência. Jesus fala de eliminar até as palavras que possam ferir a dignidade da outra pessoa.


Não matar é ponto de partida, aprender a conviver de maneira pacífica e sadia é meta, é o rumo para onde andamos. Por isso, é claro, se temos certeza de que não matamos ninguém, ainda somos incertos se já aprendemos a tolerar os erros uns dos outros...


Ser uma só carne

A lei diz: Não cometerás adultério. É o mínimo que se pode esperar dos cônjuges, que “não pulem a cerca”. Mas o Evangelho chama a olhar o que se faz “dentro da cerca”. Por isso, mostra que o mal acontece até mesmo no desejo escondido que mancha as relações. Talvez um esposo ou uma esposa poderia se orgulhar dizendo: Nunca traí! Jesus perguntaria: Mas tem amado? Tem tratado seu esposo ou sua esposa na dignidade tal?


Nesse ponto, quantas coisas poderíamos considerar... Vícios na relação entre marido e mulher em que um sente prazer em humilhar o outro; situações em que um desfaz, desmerece ou desdenha aquilo que para o outro é importante...


Pode ser que o marido ou a esposa não tenha sido abandonado fisicamente, mas quanto abandono quando um não é apoio para o outro, não é compreensão e estímulo. Não trair é começo de conversa, mas o fim da conversa é ser aquela união semelhante a uma só carne e um só coração... medida alta dos cristãos.


Comprometer-se com a verdade

A lei diz: Não levantarás falso testemunho. O mínimo é não inventar uma história contra uma pessoa ferindo sua boa fama, mas o esforço é que nosso sim seja sim e o nosso não seja não. Aí tudo se complica...


Quantas vezes elogiamos o que não merece elogio e criticamos injustamente as coisas por inveja, ciúmes ou puro egoísmo. Talvez seja fácil dizer: nunca inventei uma história sobre alguém, mas foi honesto no modo de avaliar as situações? A busca pela verdade é medida alta do evangelho...


A vingança não é justiça

No Antigo Testamento havia a chamada lei do talião que era uma lei de moderação na hora de cobrar justiça: olho por olho, dente por dente. Havia uma certa lógica. Se numa briga um fere um olho do outro, não seria justo ao segundo arrancar-lhe os dois! Se alguém fez um boi do vizinho morrer, não poderia o vizinho exigir dois bois. Era uma lei de moderação na cobrança da justiça.


Mas Jesus chama a atenção dos discípulos – dos discípulos! – que devemos parar a espiral da violência disfarçada de justiça: dar o outro lado da face, entregar até o manto e caminhar mais do que exigem são modos de dizer que a violência disfarçada de justiça derrama mais mal do que consegue corrigi-lo.


Além disso, o amor ao próximo e o ódio aos inimigos pode ser compreensível a um povo que está no começo da sua caminhada, mas os discípulos de Jesus têm uma outra compreensão das coisas: participam da salvação do mundo, por isso não desejam a condenação de seus inimigos, mas rezam por eles e não se deixam enganar pela tentação das relações de troca: fazer o bem somente àqueles que nos fazem o bem.


O cristão deve ser bobo diante dos males que sofre?

Talvez o sentimento que brota dessas duas últimas considerações é que Jesus empurre seus discípulos a parecerem bobos ou passivos diante dos erros e dos males que lhes são infligidos. Uma leitura do evangelho que parasse por aqui faria pensar nisso.


Mas em outras passagens Jesus ensinará como seus discípulos se empenham para corrigir o mal que está presente nas relações com a correção fraterna, por exemplo, em Mt 18. Porém a própria liturgia deste 7º domingo nos acena que o homem de fé não se faz cúmplice dos malvados (cf. 1ª. Leitura): “Repreende o teu próximo, para não te tornares culpado de pecado por causa dele.”


A renúncia à violência disfarçada em justiça, como vimos acima, não significa calar-se diante do mal, não significa aplaudir os erros por causa da boa amizade, não significa ser cúmplice do mal, significa frear a espiral de violência que frequentemente se instala quando há mais preocupação em exigir direitos do que amar, quando há mais preocupação em sarar a desonra do que dedicar-se à verdade.

Peçamos a Deus a graça de compreender como discípulos as palavras de Jesus e com Ele experimentar todos os dias os sinais de seu Reino entre nós.

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