Aborto legal na Argentina: e que faremos no Brasil?


Quando imaginávamos que em 2020 não caberiam mais notícias ruins, quase nos últimos minutos do 2º tempo a Argentina dá passos firmes para a legalização do aborto. Ainda que o aborto já esteja legalizado em outros países de nossa América Latina como Honduras, Nicarágua e El Salvador, por exemplo, um país com a dimensão da Argentina pode certamente reacender o ânimo em relação a essa agenda de morte por aqui.


Aborto legal, seguro e gratuito: pirueta e malabarismo

Todo o processo para a legalização do aborto, ou da interrupção voluntária da gravidez que é a expressão mais simpática para ocultar a imagem da violência e do massacre de seres humanos inocentes, gira em torno da ideia de que seja tratado como um direito humano legal, seguro e gratuito.


Obviamente os proponentes dessa agenda precisam fazer piruetas linguísticas e malabarismos morais:

  • a lei não pode permitir um crime, ou seja, cometer homicídio a um inocente e sem condições de defender-se;

  • a segurança não é garantida para todos: o inocente é assassinado, a mulher pode ter sequelas e talvez seguros mesmos ficam apenas aqueles que se escondem atrás dessa agenda de morte e com ela podem lucrar;

  • gratuito aqui entenda-se patrocinado pelo Estado; em nossa amada América Latina boa parte dos estados não conseguem garantir alimentação, moradia, educação e saúde adequadas, mas talvez garanta gratuitamente a morte de inocentes cuja tutela e defesa seria sua primeira obrigação.

O que podemos e devemos fazer agora?

Neste momento, devemos qualificar mais nosso pensamento e nossa postura para enfrentar a pressão que teremos mais perto nós. Em quais frentes devemos combater?


Certamente a direção política e social são essenciais: devemos insistir e lutar por políticas públicas a favor da vida, mas pensando naquilo que esteja mais à nossa mão, apresento dois pontos em que devemos investir mais nesse médio e longo prazo: a evangelização das famílias, pensando especificamente na relação esposo e esposa, e a evangelização dos jovens, sua linguagem e presença na internet.


No âmbito da família e pequenas comunidades deveríamos investir mais na convivência sadia, na comunhão autêntica e no espírito de solidariedade. Se nossos jovens encontrarem melhores modelos de relacionamento esposo e esposa, talvez sejam menos tentados a pensar outras formas de relacionamento em que o machismo, a cultura da violência e do domínio possam ser superados.


Infelizmente, muitos desses jovens pro-aborto são levados a acreditar que essa agenda de morte seja superação dos males que eles mesmos encontraram em suas casas. Muitos e muitas feministas viram sua própria mãe sofrerem nas mãos do esposo ou companheiro. Podemos não concordar com uma linha do feminismo, mas vamos aceitar que mulheres sofram toda forma de violência e humilhação dentro do seu próprio lar? Como podemos criar iniciativas para que nossos casais vivam sua vocação com mais alegria e autenticidade?


No âmbito da evangelização das novas gerações, devemos escutar mais os sinais dos tempos e nos colocar mais próximos deles, puxar um pouco mais de fôlego para acompanhar seus passos e não perder a capacidade de dialogar com eles.


É inútil viver reclamando que os jovens não saem da internet, deveríamos, na verdade, nos encontrar mais com eles no espaço virtual e nele oferecer mais opções para a evangelização da juventude. No meu livro Coração inquieto – zaps a Lucílio, Tibúrcio e Eugênia através da linguagem de whatsapp eu dialogo com eles sobre vários temas ligados ao universo da juventude.


O conteúdo é o mesmo, sempre apoiado pelo Catecismo da Igreja Católica, mas apresentado dentro de uma linguagem que corresponda aos nossos jovens. Que tal pensarmos em mais estratégias para acompanhar nossos jovens onde e como eles se deixam encontrar? É como ir atrás da ovelha perdida.


Aborto não é solução, mas dissolução

Devemos construir uma estratégia mais sólida e solidária para mostrar que o aborto não é solução para os inúmeros males que afligem as mulheres em nossa sociedade. Aliás, não é solução, mas dissolução: dissolução da lei, dissolução da vida.


Há mais elementos que precisam ser colocados em pauta para nossa reflexão, um deles é a própria noção de pecado. Em uma sociedade plural e relativista, sabemos realmente dialogar com linguagem atual e capaz de suscitar a escuta? Ou somente dialogamos com aqueles que desejam nos ouvir.


Antes mesmo desse debate reacender, já havia programado para fevereiro um curso on-line PECADO E PENITÊNCIA – COMPREENSÃO E CONVERSÃO. Para quem é esse curso? Para catequistas, demais agentes de formação e todos os católicos que desejam aprofundar o tema.


Qual o conteúdo do curso? A ideia principal do curso é responder a estas perguntas:

  • 1) Como falar do pecado nos dias de hoje em que tudo parece aceitável, como se nada fosse errado e tudo fosse certo?

  • 2) Qual o ensinamento essencial da nossa fé católica sobre o pecado para que possamos vencê-lo?

  • 3) De que modo podemos viver melhor um processo de conversão a partir do sacramento da penitência?

O curso inicia em 22 de fevereiro, para mais informações e se inscrever, clique aqui.


Padre Cleiton Viana da Silva é mestre em bioética pelo Centro Universitário São Camilo (São Paulo) e doutor em teologia moral pela Academia Afonsiana (Roma); professor de teologia moral e ética na Faculdade Paulo VI em Mogi das Cruzes; colunista no portal Família Cristã e autor paulinas dos livros para jovens Coração Inquieto – zaps a Lucílio, Tibúrcio e Eugênia (2018) e Confessar – O quê? Por quê? Como? (2019; Portugal 2020). Conheça também seu canal no Youtube e suas redes sociais: @padrecleitonsilva

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